Motoqueiros, Príncipes e Humildes Súditos
Enviada por as 20:26 - 29/05/2010

 

- Passei boa parte do sábado no quiosque. Um amigo parou rapidamente, acompanhado se sua pequena Yorkshire...começamos a conversar, e de repente, a cadelinha subiu no seu pé e começou a se esfregar de forma libidinosa. Ele não se sentiu envergonhado. Muito pelo contrário, até a incentivou com a seguinte frase: "Isso, menina...f*** mesmo. Goza...goza porque a vida é muito curta.". A mesa ao lado quase explodiu em gargalhadas.
 
- Outro amigo que parou para conversar foi o Affonso Romano, entre rápidas trocas de idéias, ele se mostrou muito indignado com a forma que alguns veículos estão tratando essa questão do Lula/Irã. Segundo Affonso, o que o Presidente e o ministro Celso Amorin estão fazendo, servindo como interlocutores e mediadores, é digno de elogios e aplausos. Não de critica e deboche como boa parte da imprensa está fazendo.
 
- Aliás, sobre o último post em que citei Jackson Pollock, Affonso me disse que não gosta da obra do pintor americano. Acha que sua fama é exagerada e seu talento uma mentira. Segundo o escritor, intelectual e ferrenho crítico de alguns representantes e vertentes da arte moderna, "Pollock só virou grande artista, gênio, mito, pq teve uma vida conturbada e trágica...e isso agrada muito o mercado e a mídia".
 
- O treinador Abel Braga, de folga no Brasil, e na sua querida cidade, também parou rapidinho. Desceu de uma bicicleta duas vezes menor que ele, e me garantiu que um dia voltará a treinar o Vasco...mas não sabe quando. E pedalou de volta para o seu Leblon...deixando meu coração vascaíno cheio de esperanças.
 
- E por falar no Vasco, quinta, lá pelas 11 da noite, quando terminou a partida em que ganhamos, por 3 x 2, do Inter de Porto Alegre, ouvi uma voz baixinha de criança cantando solitáriamente no prédio vizinho: "O Vasco é o time da virada...O Vasco é o time do amor...". Poesia...pura poesia.
 
- Assisti, feliz, semana passada, o Príncipe João de Orléans de Bragança, grande fotógrafo e um poço de simpatia e humildade, confessar no Programa do Jô, que não possui e nem usa máquina fotográfica digital. Com ele, ainda tudo é no filme mesmo....no analógico. Aliás, quando morava em Petrópolis, numa manhã de um dia qualquer, na Casa D\\\\\\\'ângelo, bistrô simpático e tradicional, sentado na mesa ao lado a minha, o sangue azul me deu a honra de pedir emprestado o meu açucareiro.Um dia poderei citar, em minhas memórias afetivas, que no passado tomei chá com torradas com um príncipe.
 
- E para terminar, deixo como uma pequena homenagem ao grande ator americano, Dennis Hopper, falecido nesse sábado, o vídeo com a abertura de Easy Rider. Filme que marcou toda uma geração no final da década de 60...que nasceu para ser rebelde.

 
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Carregando Menos nas Tintas
Enviada por as 11:46 - 23/05/2010

 

Não tenho twitter, nem facebook, e muito menos orkut. Só mantenho o MnG, repito, graças ao carinho e a amizade de vcs que estão sempre por aqui.
Gosto de blogs, sempre estou dando uma olhada em alguns muito bons que se espalham pela internet. É fonte de divertimento, cultura, informação e lazer. Mas, de um tempo para cá, tenho pensado muito em como eles estão se transformando, cada vez mais, em espaços perigosos para que seus titulares-autores, principalmente os dos profissionais da imprensa, exagerem no exercício de quererem ser os donos das verdades absolutas.
Semanas atrás, me arrependi da forma em que escrevi alguns "tijolões" aqui para o nosso espaço. Por mais que eu tivesse absoluta certeza de minhas certezas, fui arrogante e impus idéias de forma ditadora e quase fascista. Prometo não repetir. Continuarei dando minhas opiniões sobre as coisas que acho que conheço um pouco, mas serei muito menos pesado.
Como todos aqui sabem, a cada dia que passa, menos renovo os posts e as idéias. Problemas pessoais e falta de concentração e inspiração, me fazem deixar o blog quase que totalmente abandonado.
Então, para tentar dar uma mudada nessa situação, começo, a partir de hoje, criar posts mais leves e com vários assuntos diferentes...todos ao mesmo tempo e comentados em poucas linhas...quase como um twitter.
Vamos lá:
 
- A última vez que eu tinha visto uma cena completa de Francisco Cuoco, na TV, foi em 1971. Na novela Selva de Pedra. Quase 40 anos depois, revi, um dias desses, o ator em Passione...nova chatice das 8/9 hs da TV Globo. Constato: Cuoco ainda não aprendeu a sua profissão. José Mayer é um Laurence Olivier perto dele.
 
- Por outro lado, estou sempre revendo filmes do fantástico Ed Harris. Nessa semana, dei mais uma olhada em Pollock. O grande ator interpreta, e dirige, o filmaço sobre a vida e morte do genial pintor-expressionista-abstrato, americano, Jackson Pollock. Uma aula completa para quem ainda sonha em ser ator.
 
- Depois de muito tempo, voltei a assitir o Jô Soares nas madrugadas. O humorista/apresentador continua carismático, gentil e muito simpático. Mas desaprendeu a entrevistar. Uma pena.
 
- Não gosto do estilo da apresentadora Glenda Kozlowisky do Globo Esporte. Muito cheia de poses, caras e bocas, e simpatia exagerada. Simpatia exagerada me incomoda.
 
- Quem está mandando muito bem, como quase sempre, é a Deborah Bloch na comédia/minisérie Separação?!. Porém, o texto é muito fraco. Fernanda Young e Alexandre Gama não conseguiram, ainda, atingir a qualidade de Os Normais. Estão exagerando no escatológico. Escatologia exagerada, também, me incomoda.
 
- Me amarro naquele comercial da Chevrolet em que a noiva é lavada para a igreja pelo pai. Sempre que vejo ficou emocionado.
 
- Mas odeio aquele da Schincariol: "Cervejão". É irritante, sem criatividade, e pior: mentiroso. Schin é uma cervejinha!
 
- Meus olhos brilham quando vejo as imagens nos jornais e na TV, da turma da zona norte e subúrbio, de minha querida cidade, enfeitando as ruas para a Copa. Curti muito isso na Copa de 82, quando morava no Lins de Vasconcelos. As pessoas voltam para as calçadas e praticam a amizade com a vizinhança. Felicidade pura...e simples. A criançada faz a festa.
 
- Se conseguirem tirar do papel todos esses projetos para a Copa e as Olimpíadas, nossa cidade vai ficar ainda mais maravilhosa. Vi a maquete da revitalização da zona portuária...fiquei encantado.
 
- E por falar em Copa, alguém, muito próximo do Adriano, me disse, numas dessas esquinas de Ipanema, que o jogador está muito feliz por não ter sido convocado. Como diz o Ancelmo Góis: faz sentido.
 
- Depois que li no jornal, que o goleiraço da seleção, Júlio César, passou boa parte de sua infância e adolescência no Grajaú, e é ídolo no bairro, virei, ainda mais, fã do cara! Esse sim é um exemplo pra garotada...
 
- Tenho escutado, seguidamente, o album In Too Much Too Soon, de 1974, da extinta-ótima-banda-punk-americana New York Dools, e na letra de Human Being, o vocalista Johnny Thunderr grita: "...e se eu tenho que sonhar, é porque você não sabe que eu sou um ser humano. E se isso é um pouco obsceno, é porque você não sabe que eu sou um ser humano..."
 
- E por falar em sonho, vejam que bonito que o poeta e militante político da época da ditadura, Alex Polari, escreveu, e que Alfredo Syrkis cita, antes de começar o seu ótimo Os Carbonários: " Nossa geração teve pouco tempo, começou do fim, mas foi bela nossa procura. Ah! moça, como foi bela a nossa procura, mesmo com tanta ilusão perdida, quebrada...mesmo com tanto caco de sonho onde até hoje a gente se corta."
 
- E por falar em Syrkis, Gabeira continua caindo no meu conceito. Aliás, consigo contar nos dedos, de uma das mãos, os políticos que ainda acredito.
 
- Comecei a ler Dublinenses, de James Joyce. São curtos contos sobre diferentes personagens em diferentes situações do cotidiano da cinzenta Dublin. Estou gostando muito. E até me incentivou a copiar a idéia e aos poucos começar a escrever o meu "Ipanemenses".

 

 

 
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Final de Tarde
Enviada por as 23:43 - 15/05/2010

 

Deitado com a cabeça nos pés da cama, assisti o fim da tarde passando pelo espelho do banheiro.
Ele se aproveitou por eu ter deixado as portas do quarto e do box abertas, e por entre as frestas do basculante, me mostrou um céu azul magnífico que, aos poucos, foi escurecendo e dando lugar a noite fria e escura.
Fiquei ali, ouvindo Ian Anderson, do Jethro Tull, cantando, como sempre magistralmente, as lindas canções do extraordinário album Minstrel in the Galery...enquanto raios do sol, de um amarelo total, que só as tonalidades do outono nos fornecem, iluminavam a parede descascada do prédio ao lado.
Naquelas curtas horas descobri o que eu tenho de melhor: a memória afetiva, que sempre se faz presente nos momentos que mais necessito, e me mostra, com detalhes, as mais bonitas lembranças desse quase meio século que estou aqui na Terra.
Não tenho medo de errar: o melhor de minha vida eu vivi entre 1961 e 1981. E nem vergonha de confessar: de lá para cá, são só raros fins de tardes refletidos no espelho do banheiro.

 
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