Uma Tarde de Adágio e Plágio no Arpoador
Enviada por as 17:46 - 16/11/2008

 

Numa tarde do verão passado, eu estava querendo dar uma relaxada no Arpoador.
Queria chegar até a praia e olhar para ver se o vento ainda estava forte.
Foi bacana, mas difícil, por causa do joelho, subir nas pedras.
Na verdade, eu estava querendo chegar até lá pra esquecer...
Deixar a onda me acertar...
E o vento levar tudo embora...
Quando, finalmente eu cheguei lá em cima, tudo ficou tão longe de se ver...mas a linha do horizonte me distraiu.
E fiquei pensando que dos meus velhos planos é que eu tinha mais saudade...
Quando olhava sempre na mesma direção.
Pensei e perguntei a mim mesmo: -" Aonde está você agora além de aqui...sozinho e olhando essa cidade linda?"
Acho que durante todo esse tempo de minha vida, agi certo sem querer...
Foi só o tempo que errou.
Estava sendo dificil seguir sendo eu mesmo...
Porque eu continuava, o tempo todo, levando comigo alguns dos envelhecidos ideais.
Mas devo confessar que quando eu vi, lá do alto, esse mar de Ipanema,
Surgiu algo que me disse que a vida continuava...
E se entregar, era uma bobagem...
Então continuei pensando: "Já que você está aqui, cara, o que tem que fazer é cuidar de você mesmo, porra!"
Resolvi ser feliz ao menos...
E enquanto eu me lembrava que o plano era ficar bem, um rapaz, pequeno, magro, de barba e óculos, que estava um pouco abaixo, lá nas pedras, gritou pra mim:
-"Eieieieiei!
Olha só o que eu achei
Cavalos-marinhos..."

 
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Filho Único
Enviada por as 23:11 - 09/11/2008

 

Quando o sol impiedoso do verão carioca transformava aquela vila do Andaraí numa espécie de sucursal do inferno em plena Zona Norte, nós, pequenos moradores naqueles fantásticos anos 70, fugíamos para o Grajaú.
Na época, certamente nenhum de nós, garotos cabeludos e magrelos, víamos um significado especial nesse simples ato de rebeldia e fuga para aquela fronteira imaginária que separava os dois bairros vizinhos. Nada conhecíamos da repressão e da ditadura que governava o Brasil. Nossas famílias democráticas nos deixavam livres. Mas o que queríamos mesmo era, instintivamente, sentir menos calor. Nos abrigar nas sombras das tranquilas ruas arborizadas... e nas brisas que desciam da reserva florestal para se juntar a nós.
Escrever o que significava, para todos nós, aqueles iluminados dias de férias que arrastavam-se de dezembro à março, caminhando e nos divertindo pelas bucólicas ruas do bairro, é muito difícil para mim. Embaralham-se na minha memória as imagens quase perdidas por esses trinta e tantos anos de passado e ausência.
Nossa turma variava entre 8 à 10 garotos...e se eu pudesse ter uma pequena máquina do tempo que me levasse de volta até aqueles deliciosos momentos, e ficasse apenas flutuando sobre nós, só observando e filmando tudo, talvez eu pudesse escrever um texto mais claro e lírico...mas precisaria ter do lado uma caixa de lenços de papel...ou um cardiologista.
Com certeza, essa geringonça me mostraria outra vez, agrupados, os meus amigos entre 13 e 14 anos. Todos calçando os mesmos tênis "kichutes" escuros, baratos e fedorentos. Talvez ela me mostraria um, ou dois de nós, lambuzando-se em "kibons" que derretiam-se presos a palitos de plásticos coloridos. Certamente, veríamos, também, um dos meus irmãos, Marcoz ou Ted,  correndo a frente do resto da turma com uma bola "dente de leite" presa aos pés...driblando as amendoeiras e os hidrantes da Rosa e Silva, ou esfolando os cotovelos nos paralelepípedos da Botucatu.
Essa máquina do tempo mostraria que alguns de nós estariam, com certeza, só de shorts bem curtos, encardidos e apertados...e outros, com camisetas de malhas coloridas...estampadas com surfistas deslizando nas brilhantes ondas havaianas.
Longe da Zona Sul, a nossa "praia" era jogar pelada na Praça Nobel e depois subir o Pico do Papagaio para um rápido banho nas pequenas quedas dágua gelada que brotam lá em cima. Quase sempre, alguém levava um radinho de pilha para ouvirmos os "sucessos da parada"...como esse que toca agora.
O Grajaú era na época o que o Leblon é atualmente para mim. Um local para mudar de "ares" de vez enquando...para se olhar a uma certa distância. Mas sempre que o calor apertasse, corresse em sua direção para uma renovação.
E também o Pico do Papagaio era, na época do Andaraí,  o mesmo que o Dois Irmãos significa para mim agora aqui em Ipanema. Mas diferente dos morros que dão fama e sombra ao meu chic vizinho, o gigante do Grajaú impera solitário...como um filho único.

 
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Viagem ao Centro da Terra
Enviada por as 23:48 - 03/11/2008

 

Durante alguns posts, publicarei no MnG, para vocês curtirem comigo, imagens de alguns pontos da minha querida cidade, que mais me trazem lembranças e me remetem a um passado que nunca se afastará de minha memória...e do meu coração. Cada recordação desses lugares, será acompanhada por uma canção que se associa a tudo isso que senti na época...e que ainda sinto.
Nesses 38 anos de Rio, vivi momentos inesquecíveis por aqui...e cada detalhe que me lembro, parece que está impresso no meu DNA.
Começo com o nosso "velho" e imortal Maracanã. No seu interior, talvez, eu tenha vivido os maiores prazeres de minha vida. As maiores e mais fortes emoções.
Convido os amigos a relembrarem os nossos momentos pessoais que ainda ecoam dentro do nosso inigualável Maraca!

 
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