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Nosso amigo do MnG, Eduardo Hollanda, em novembro do ano passado, visitou a Antártica e preparou uma grande máteria, com ótimo texto e bonitas fotos, para a revista Brasileiros... que já está nas bancas. Hollanda nos dá o prazer de inaugurar o novo espaço \"Colaboradores\", do novo MnG, contando aqui também, um pouco de sua experiência nessa região tão bonita e gelada...
Quando caminhei na neve rumo à entrada da estação antártica brasileira, às 5h30m da madrugada do dia 16 de novembro, duas coisas me vieram à cabeça. Primeiro, que eu passava a integrar um grupo muito especial de pessoas privilegiadas, pois era a terceira vez que eu estava na Antártica. Isso me deu uma grande satisfação interior, mas ao mesmo tempo uma responsabilidade com o que iria escrever (e fotografar) quando retornasse ao Brasil. Afinal de contas, eu não estava a passeio... Segundo, a surpresa ao ver que estava tudo coberto por uma camada de gelo e neve com dois a três metros de espessura. Isso já em pleno começo de verão, quando a praia pedregosa estaria toda exposta e a estação se destacando na paisagem. Mas não era isso que eu via. Da estação, só aparecia o teto, como se fosse uma grande placa laranja colocada em cima da neve. Para entrar, em vez de subir uma escada, tive que descer uma “escada” cavada na neve e no gelo, cena típica de alto inverno. A subchefe da Estação, Janaína Silvestre, uma psicóloga da Marinha, comentou: “Viu Sr. Hollanda, está como lhe contei nos e-mails. O inverno ainda não acabou”. Olhei para ela e disse: “Ótimo”. E entrei para o que seria minha casa e local de trabalho por duas semanas.
A comandante Janaína e a médica Cristina Heuseler, outra carioca, estão fazendo história. São as primeiras oficiais de Marinha que permanecerão um ano inteiro na Antártica, como parte do grupo da Marinha que opera e administra a estação polar. Escolhidas em uma dura seleção, estão provando que muitos mitos sobre a capacidade feminina de enfrentar situações adversas e o isolamento são besteira pura. Em síntese, essa minha terceira ida à Antártica - a primeira vez foi rápida, de apenas um dia, em 1997, enquanto na segunda fiquei quase um mês, mas baseado no navio polar Ary Rongel, da Marinha – foi a mais impressionante de todas. As caminhadas que, antes, fiz usando quadriciclos ou a pé mesmo, dessa vez foram todo o tempo sobre a neve. Só não lamentei não ter a menor idéia de como esquiar. As condições estavam muito melhores que a grande parte das estações de inverno. E sem o bando de turistas. E voltei a tomar o velho e bom uísque de 10.012 anos. Claro, 10 mil anos do gelo, tirado de geleiras milenares, e 12 do escocês mesmo. Mais tarde conto mais. |