A Carta
Enviada por as 17:43 - 16/08/2008

 

Semana passada, recebi notícias de Lia que me deixaram extremamente feliz.
Primeiro: por saber que sua vida pessoal e profissional está indo tão bem. Segundo: porque não nos falávamos há meses.
No entanto, o que mais me chamou atenção nesse email foi que parecia que estava recebendo uma carta. Daquelas delicadas, inesperadas...e tão gostosas de receber quando não víviamos, ainda, esses loucos e frenéticos anos de internet.
Perdi permissão a Lia para dividir as notícias dela e de sua linda família com vocês.
Notem como só faltaram papel, envelope, selo...

 
 
Dear Cal,
 
Estou sempre para te mandar um email para saber como está a vida.  Visito o Mensagem sempre que posso.  Muito cool.  Congrats!  Meu ritmo é meio lento por isso não escrevo.  Escrever e desaparecer me parece indelicado...(Eu sou fã do Hollanda particularmente.  Oh Boy, is he smart!)
 
Por aqui vida que segue... Muito trabalho como sempre, mas estou feliz.  As crianças ( 3 anos x 2 + 18 meses) estão ótimas.  Os gêmeos já são umas pessoinhas:  falam (português, italiano e inglês, coisa mais linda!), nadam, jogam futebol e fazem capoeira.  Isabellinha esta chegando lá! 
 
Londres continua maravilhosa (segundo o meu gosto é claro).  Adoro a vida que temos por aqui.  Como já te falei, nós temos uma outdoor kitchen com forno a lenha (e um autêntico Italiano no comando).   E você sabe que tem uma "open invitation". 
 
Ao contrário do que todos previam quando tive 3 filhos em dois anos, pouco tempo depois de terminar o doutorado, minha carreira está indo super bem.  Recebi uma proposta de um trabalho com "tenure" na NYU.  Não largo Londres por NY (again, só uma questão de gosto pessoal) por emprego nenhum, mas fiquei super contente.  Ainda acho que sou uma privilegiada por ter tido condicões de exercer a maternidade dando o melhor de mim a minha carreira fazendo o melhor que posso... given my constraints.
 
No momento estou em Washington visitando os pais do Mateo que moram aqui 6 meses ao ano.  Dessa forma fechamos o verão e voltamos para casa e pro trabalho.
 
A notícia triste, muito triste. é que meu avô (aquele que foi em lua de mel para Itália, lembra?) morreu no inicio do ano.  Foi tudo muito de repente e a primeira perda de alguem tão próximo.  Como ele mesmo diria diante de uma situacão dessa:  "..sao coisa da vida pois pra morrer basta esta vivo".
 
Cal, te desejo muito sucesso e que a vida continue sorrido pra você.  Como ja disse, sua visita será sempre bem vinda, por email ou pessoalmente.
 
Um afetuoso abraço,
 
Lia

 
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Na cozinha com Bukowski
Enviada por as 21:12 - 10/08/2008

 

Estou lendo Fabulário Geral do Delírio Cotidiano - Ereções,Ejaculações e Exibicionismos ( Parte II )de Charles Bukowski...
Confesso que fiquei envaidecido quando li esse trecho, em especial, entre tantos outros fascinantes que estão nas crônicas e contos que o "véio safado" espalha por todo o livro.
Mesmo assim, tirei parte do sábado para dar uma "guaribada" na minha minúscula cozinha.
 
Extraído da crônica, Sensível Demais:
 
"Me mostrem um sujeito que mora sozinho e está sempre com a cozinha suja, que eu, em 5 entre 9 casos, provarei que o sujeito é fora de série."
- Charles Bukowski, em 27.6.67, depois da 19o. garrafa de cerveja.
 
"Me mostrem um sujeito que mora sozinho e está sempre com a cozinha limpa, que eu, em 8 entre 9 casos, provarei que o sujeito tem abomináveis qualidades espirituais."
- Charles Bukowski, em 27.6.67, depois da 20o. garrafa de cerveja.
 
"...muitas vezes o aspecto da cozinha reflete o estado do espírito. Os sujeitos confusos, inseguros e maleáveis são pensadores. A cozinha da casa deles se assemelha às idéias que têm: cheias de lixo, metal encardido, impurezas, mas eles sabem disso e até acham graça. Às vezes, com violenta erupção de fogo, desafiam as divindades eternas e surgem com o fulgor intenso que volta e meia chamamos de criação; noutras, meio que se embriagam e resolvem limpar a cozinha. Mas tudo volta logo a cair na desordem e ficam no escuro de novo, precisando de BABO, comprimidos, orações, sexo, sorte e salvação. Mas quem mantém a cozinha sempre limpa é anormal. Cuidado com ele. O estado de sua cozinha equivale às idéias que tem: Tudo em ordem, arrumado; permitiu que a vida o condicionasse rapidamente a um firme e resistente complexo de raciocínio defensivo e tranquilizador. É só se prestar atenção no que diz durante dez minutos pra se ter certeza de que tudo o que dirá pelo resto da vida será intrinsecamente inexpressivo e sempre sem graça. É um monolito. Existem mais criaturas desse tipo do que de qualquer outro. Portanto, quem estiver a fim de encontrar um homem vivo precisa, antes de mais nada, dar uma olhada na cozinha do cara - economiza tempo e dinheiro."

 
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Todos Iguais
Enviada por as 19:32 - 03/08/2008

 

Sábado, durante boa parte da tarde, assisti no Tele Cine Cult um clássico do western americano: Duelo em Diablo Canyon...de 1966.
Aprendi a gostar desse gênero do cinema com meu pai. Desde pequeno que eu era seu companheiro das tardes e noites para assistir bang bang em frente a TV.
Seu Zé Carlos, além de me incentivar a ficar ao seu lado a cada vez que a tela começava a apresentar esses durangos kids da vida, me presenteava com muitas revistas em quadrinhos, além daqueles soldados, cowboys e índios de plásticos em miniatura. Fora os Fortes Apaches (que ele mesmo contruia em madeira), carruagens, cabanas indíginas. Simplesmente eu ADORAVA aquilo tudo!
Já havia assistido Duelo em Diablo Canyon...e com certeza acompanhado do meu pai. Mas dessa vez vi todo o filme com um olhar diferente. Afinal, muitos anos se passaram e hoje tenho uma visão mais crítica do que da época em que só curtia mesmo os uniformes dos soldados americanos, e dos guerreiros indíginas. Agora, pude ver que o tema abordava com mais imparcialidade as questões da forte segregação racial que marcou a história da colonização e desenvolvimento dos EUA.
Uma clara evidência que o filme procurou mostrar que queria apresentar os personagens, independente da raça, de maneira igual, foi escalar, como os dois "mocinhos" da história, os atores Sidney Poitier (negro) e James Garner (branco). Ambos, enfrentam indíos e brancos, na mesma proporção...mas sempre deixando explícito que todos estavam ou certos ou errados na  defesa de seus direitos e filosofias. Ou seja, em nenhum momento a intenção do filme foi de fazer um patrulhamento e engajamento ideológicos.
Semana passada, recebi por email, e publico aqui para vocês, o Código de Ética dos Índios Norte-Americanos definido pelo conselho indígena inter-tribal, composto pelas tribos:Cherokee Blackfoot, Cherokee, Lumbee Tribe, Comanche,  Mohawk, Willow Cree, Plains Cree, Tuscarora, Sicangu Lakota Sioux, Crow (Montana), Northern Cheyenne (Montana).
Essa belíssima imagem é do famoso fotógrafo americano, Edward S. Curtis, retirada de um dos meus livros que mais folheio: Os Índios Norte-Americanos. Edward dedicou a maior parte de sua vida, do final do século XVIII até 1940, em fotografar  várias raças indíginas dos EUA e Canadá.
A música que rola aqui é da banda Appaloosa (nome da raça equína preferida pela maioria das tribos americanas) e que só ouvi e  fiquei conhecendo por esses dias.
 
O Código
 
Levante com o Sol para orar.
Ore sozinho. Ore com freqüência.
O Grande Espírito o escutará, se você ao menos, falar.


Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho.
A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza, originam-se de uma alma perdida.
Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.


Procure conhecer-se, por si mesmo.
Não permita que outros façam seu caminho por você.
É sua estrada, e somente sua.
Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.


Trate os convidados em seu lar com muita consideração.
Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama
e trate-os com respeito e honra.
 

Não tome o que não é seu.
Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza, ou da cultura.
Se não lhe foi dado, não é seu.
 

Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra.
Sejam elas pessoas, plantas ou animais.
 

Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas.
Nunca interrompa os outros nem ridicularize, nem rudemente os imite.
Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.
 

Nunca fale dos outros de uma maneira má.
A energia negativa que você colocar para fora no universo, voltará multiplicada  a você.
 

Todas as pessoas cometem erros.
E todos os erros podem ser perdoados.
 

Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito.
Pratique o otimismo.
 

A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós.
Toda a natureza faz parte da nossa família Terrenal.
 

As crianças são as sementes do nosso futuro.
Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lições da vida.
Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.
 

Evite machucar os corações das pessoas.
O veneno da dor causada a outros, retornará a você.
 

Seja sincero e verdadeiro em todas as situações.
A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.
 

Mantenha-se equilibrado. 
Seu corpo Espiritual, seu corpo Mental, seu corpo Emocional e seu corpo Físico: todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis.
Trabalhe o seu corpo Físico para fortalecer o seu corpo Mental.
Enriqueça o seu corpo Espiritual para curar o seu corpo Emocional.
 

Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá.
Seja responsável por suas próprias ações.
 

Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros.
Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas, especialmente objetos religiosos e sagrados. Isto é proibido
 

Comece sendo verdadeiro consigo mesmo.
Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.
 

Respeite outras crenças religiosas.
Não force suas crenças sobre os outros
 

Compartilhe sua boa fortuna com os outros. 
Participe com caridade.

 
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